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segunda-feira, 3 de março de 2014

O Técnico em Informática e a Ética Profissional

Mesmo com a maioria dos profissionais de TI associando esse termo àqueles que possuem uma graduação ou uma certificação, não podemos nos esquecer de que o técnico em informática, que por muitas vezes é criticado e tido como um mero formatador sem um conhecimento sólido e mais aguçado, também é um profissional do campo da tecnologia da informação e, portanto, deve ser respeitado.
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Muito da má fama que esse profissional recebe advém da má qualidade dos cursos técnicos que, não raras vezes, ensinam os conteúdos apenas de forma superficial e de maneira incompleta, bem como do próprio profissional que, por geralmente ser jovem e lidar com um campo de trabalho relativamente mais novo do que os mais “clássicos” – como Mecânica, Eletrônica ou Engenharia -, não está preparado para o famigerado mercado de trabalho, não sabendo como se vestir ou se portar na empresa ou diante de um cliente.

Este artigo é inteiramente dedicado a esse profissional tão essencial à vida de milhares de usuários finais. Aqui, coloco algumas dicas sobre ética e comportamento que, se seguidas, ajudarão esse trabalhador a progredir em sua carreira. Aos que tem formação superior, peço consideração e auxílio para os que estão começando.

O Técnico em Informática deve sempre atualizar-se sobre o assunto

Conforme já foi dito, muitos cursinhos técnicos de informática não possuem um nível aceitável de qualidade no tocante ao conteúdo ensinado. Pior ainda, não são todas as universidades que possuem um curso de Licenciatura em Informática o que, muitas vezes, faz com que o professor tenha uma formação de cientista ou de engenheiro – ou, até mesmo, de técnico – e não tenha base curricular para lecionar.

É fato conhecido de que todas as profissões – médico, engenheiro, arquiteto, professor – precisam se atualizar constantemente e, para quem lida com um campo tão dinâmico quanto a informática, essa exigência possui um peso maior, afinal, o que você aprendeu hoje em seu curso pode não valer mais no mês que vem.

O técnico em informática não deve considerar suficiente apenas o que aprende em sala de aula: deve pesquisar constantemente em fóruns, em livros e em sites especializados para nunca ficar para trás.

O Técnico em Informática deve cuidar da sua aparência profissional

Por ser um campo de trabalho relativamente recente, muitos profissionais e empresas de informática trabalham em um ambiente informal, o que de certa maneira é bom, mas que, se exagerado, pode causar uma péssima impressão para o cliente.

Apenas para citar um exemplo, semana passada eu passei em frente a uma empresa que vendia antenas de TV por assinatura de uma famosa marca nacional em minha cidade. Os trabalhadores da empresa, devidamente uniformizados, estavam colocando caixas em um veículo e, perto deles, um carro adesivado com o logotipo da operadora estava com o rádio no último volume tocando um funk com letra de duplo sentido. Mesmo que esse fosse o estilo musical preferido daqueles funcionários, eles involuntariamente associaram uma marca nacional a um estilo de música que nem todos gostam, o que poderia fazer com que alguns potenciais clientes que estivessem passando pelo local procurassem um serviço concorrente.

Com o técnico ou a empresa de informática, é a mesma coisa – principalmente se o trabalho for a domicílio. Como profissional, evite trabalhar usando boné, bermuda, corrente, física ou regata, pois isso poderá causar uma má impressão. Se possível, vista uma roupa social e trate seu cliente com cortesia. Caso a empresa dispense formalidades, pergunte ao seu empregador quais seriam os trajes adequados.

Formatação e pirataria

Esse é, talvez, o ponto mais polêmico do trabalho do técnico em informática. Ambas as questões são bastante delicadas.

Por um lado, profissionais de formação acadêmica acusam os técnicos em informática de serem reles formatadores, recorrendo à medida extrema, muitas vezes de forma incorreta e precipitada, a fim de resolver quaisquer problemas, de uma infecção por vírus até uma mensagem de erro misteriosa. Por outro, devemos nos colocar no lugar desse profissional. Mesmo sabendo que, hoje, existem ferramentas apropriadas para detectar e remover infecções, como HijackThis! e ComboFix, precisamos considerar que, muitas vezes, o empregador entrega ao técnico uma grande quantidade de máquinas com diversos problemas para serem resolvidos até o final do expediente e, dessa forma, o técnico fica sem tempo para pesquisar uma solução mais adequada aos problemas apresentados, recorrendo à extrema medida.

Isso poderia ser resolvido com capacitação profissional e recai sobre o primeiro item dessa lista, o qual diz que o técnico deve sempre procurar se atualizar.

A falta de atualização é, também, uma das grandes responsáveis pela pirataria de software, a qual parece rolar solta nas oficinas de manutenção. Muitos técnicos, ao receberem um micro para formatar, logo tratam de enfiar o CD do Windows Ultimate no drive e excluir tudo que exista no disco. A maioria não deve saber que os computadores atuais possuem partições de recuperação, as quais permitem reinstalar o sistema original de fábrica em poucos minutos mediante o pressionar de uma combinação de teclas durante o boot, sem a necessidade de discos ou de drivers adicionais. A partição de recuperação deve ser o método de formatação preferido, a menos que o cliente tenha solicitado a mudança do sistema operacional.

Quando o cliente solicita a mudança ou a instalação do sistema operacional, caímos em um ponto delicado pois, como todos nós sabemos, o Windows é um sistema caro e, embora existam versões mais em conta para usuários domésticos, como a Home Premium, muitos simplesmente as ignoram, procurando instalar logo a famigerada versão Ultimate, pensando que ela seja a melhor, mesmo que o usuário não aproveite sequer um décimo dos recursos oferecidos.

Pirataria de software é crime tanto para quem instala quanto para quem usa. O técnico ou a loja devem ter uma política clara quanto a isso e conscientizar os clientes sobre alternativas disponíveis como, por exemplo, sistemas baseados em Linux.

Zelar pelos dados do cliente

O Técnico em Informática não está autorizado a, de qualquer forma, acessar, copiar, visualizar ou excluir os dados do equipamento do cliente. Esse é um princípio básico mas que, muitas vezes, passa batido por várias lojas e profissionais.

Foi-se o tempo em que o computador era apenas um eletroeletrônico comum; Hoje em dia, principalmente com a ascensão dos notebooks e demais equipamentos portáteis, eles se tornaram uma extensão de nossas vidas pessoal e profissional. Graças aos HDs cada vez maiores, médicos podem armazenar prontuários e receitas em seus notebooks, assim como professores podem guardar provas e conceitos, advogados podem colocar arquivos com processos civis e criminais ou uma simples família coloque fotos de seu final de semana na praia. Tudo isso agrega valor ao equipamento, fazendo-o valer muito mais do que o preço pelo qual ele foi comprado.

Músicas, filmes, documentos, fotos, programas originais… o técnico não pode tomar para si o que é do cliente. Por mais que sejamos humanos, passíveis ao erro, devemos tratar os dados do computador do cliente com o máximo de respeito e profissionalismo. Recentemente a prática de apoderar-se e compartilhar informações sem permissão virou crime com “duras penalizações”, portanto, um motivo a mais para manter a integridade das informações de clientes.

Da mesma forma, o profissional ou a empresa deve ter uma política clara de backup. No caso de o disco rígido precisar ser formatado, o que vai acontecer com os arquivos pessoais? A loja vai gravá-los em outra mídia e entregá-la ao cliente? Ela vai armazená-la em outro dispositivo e, depois recolocá-los em seu lugar original? O que vai acontecer com esse dispositivo? Ou será que o backup é de responsabilidade do cliente e a loja não quer nem saber? São questões a se pensar bem.

O Técnico em Informática não deve agir de má-fé

É sabido que a maioria dos usuários mal sabe ligar o computador – e é justamente por isso que eles recorrem ao técnico em informática quando tem problemas. Infelizmente, porém, muitos técnicos se aproveitam desse fato conhecido para extorquir dinheiro de seus clientes de maneira fraudulenta. São defeitos que não existem, peças trocadas que não precisavam ser substituídas ou, até mesmo, a criação proposital de “bombas relógio”, ou seja, a plantação de um problema que vai acontecer em determinado tempo para que o cliente retorne àquela assistência.

Um bom profissional trata o cliente com respeito, seja qual área for. Jamais deve-se aproveitar da ignorância do cliente para lhe empurrar um produto ou serviço desnecessário e sempre deve-se consultar o dono do equipamento antes de instalar ou remover qualquer peça ou programa.

Enfim, esse artigo não tem por intenção esgotar o assunto ética profissional, mas servir de guia básico àqueles que escolheram a computação como sua opção de vida. Bem-vindo ao time!

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Dez dicas para você se dar bem como técnico em informática

1 – Seja honesto: O que é do cliente não é seu. Cliente não é bobo, não troque peças ou remova peças, mesmo que seja aquela placa Modem PCI que geralmente ninguém usa mais. Por uma questão de consumo de energia ou até mesmo para liberar espaço para outras placas é comum o técnico tirar placa que está sobrando no computador do cliente. Tirou, devolva a peça ao cliente, com uma explicação da decisão. Honestidade é um ponto alto nessa profissão, pois o cliente não tem necessidade de saber tudo sobre seu equipamento;
2 – Respeite a privacidade do seu cliente: Com um pouco de conhecimento qualquer pessoa sabe identificar se músicas, fotos, vídeos e documentos foram copiados ou simplesmente abertos, portanto resista à tentação de bisbilhotar as fotos daquela “gatinha” (ou “cachorro”) e outros arquivos do seu cliente. Se for preciso mover ou copiar os dados de um lugar para outro, notifique seu cliente, todo cliente gosta de respeito;
3 – Respeite os limites de confiança: Nunca induza o cliente a gastar ou trocar peças do seu equipamento à menos que seja necessário ou se o mesmo tem a intenção de fazer um upgrade. Mesmo que você tenha um comércio de equipamentos não subestime seu cliente levando-o ao gasto desnecessário. É melhor você ganhar a confiança dele oferecendo um bom serviço que quando ele precisar saberá onde encontrar bons produtos;
4 – Seja pontual: A maioria das pessoas torcem a cara quando ouve falar de “técnicos em informática” pois eles têm fama de “enrolado”. Faça uma estimativa com margem de segurança, levando em conta os aspectos e caminhos que o serviço contratado pode exigir e cumpra no horário, caso contrário entre em contato com o cliente antes do término do serviço e notifique-o do atraso; Elabore uma rotina de trabalho para evitar esquecimento ou atolamento de serviço;
5 – Seja cauteloso: Antes de fechar negócio com o cliente, avalie seu equipamento, anote as configurações, memória, disco rígido, marca/modelo da placa-mãe, marca/modelo do drive de CD/DVD. Um cliente espertinho pode querer te induzir ao erro. Procure saber do cliente essas informações e confronte com as que encontrou, caso haja discrepância, notifique-o, dessa forma tanto o cliente quanto você terão as mesmas informações; Por segurança, caso não sinta confiança por alguma das partes, elabore uma relação da configuração e peça-o para assinar. Existem softwares que listam (mesmo em modo comando) as configurações do equipamento;
6 – Seja eficaz: Tenha sempre ao alcance boas ferramentas, programas para realizar testes e detectar problemas. Adquira equipamentos, ferramentas e organize sua área de trabalho. Eficácia é a capacidade que a pessoa tem em resolver um problema da maneira mais rápida possível. Boas ferramentas facilitam o trabalho e economizam tempo. Tempo é dinheiro;
7 – Seja eficiente: Não gaste tempo à toa, não execute tarefas desnecessárias, no caso de computadores, só reinstale o sistema, só troque softwares se forem necessário. Eficiênca é a capacidade que a pessoa tem em executar uma ação aproveitando da melhor maneira os recursos disponíveis e o tempo necessário, portanto se o cliente pediu para excluir vírus não formate seu computador, quando você altera o sistema o cliente tem que se readaptar ao novo ambiente;
8 – Não exagere: Computador do seu cliente não é o seu, se você gosta de “firulas” tem cliente que odeia esse tipo de coisa. Deixe que ele altere as cores e o comportamento do sistema operacional, só porque você gosta de caveiras, cores pretas e sombrias, ostentar mulheres nuas, isso pode refletir mal aos olhos do cliente. Prefira o padrão, o simples e o objetivo, se ele solicitar não discuta, o cliente sempre tem razão, mesmo que o ponto de vista seja diferente do seu;
9 – Saiba separar as coisas: Nunca use o equipamento do seu cliente para fazer backup seu ou de outros clientes, se você esquece de excluir ou se ficar algum rastro do uso pode induzir o cliente à pensar que alguma coisa foi trocada sem seu consentimento, gerando desconfiança. Nesse caso cuide-se de ter observado o que diz a dica 6;
10 – Seja profissional: JAMAIS fale mal ou faça comentários maldosos sobre a concorrência com seu usuário. Não ouça, não comente, não diga. Cada um tem um estilo de trabalhar, você nunca vai saber quando vai precisar da concorrência, portanto seja um profissional sensato, faça seu trabalho da melhor forma possível, assim você ganhará não só clientes, mas respeito dos seu clientes.