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terça-feira, 4 de julho de 2017

Como manter sua privacidade e navegar de forma anônima

Nós já comentamos sobre formas de proteger tudo que está no computador, ou mesmo no smartphone. Proteger de olhos que não são os seus e que muito provavelmente nem estão próximos de você. Hoje listamos mais algumas dicas, focando na navegação anônima e como manter sua privacidade a salvo de bisbilhoteiros. Desde empresas que querem vender anúncios, passando por olhos do governo e até daquela teoria da conspiração que você leu no Facebook.


Tor, você precisa dele
Não, não estamos falando do deus Thor e seu martelo que brilhou lá nos Vingadores. Este Tor é a sigla para The Onion Router, que nada mais é do que um navegador com cara de Chrome, mas que sabe bem esconder seus rastros. Ele utiliza uma vasta rede de computadores para enviar os dados que você quer acessar, em camadas e camadas de criptografia. O objetivo dele é de esconder a origem de onde vem os dados. E ele faz bem isso.

Se você quer ele, é só clicar aqui e baixar o browser.

Utilize uma VPN
Além do Tor, você pode estar na China e quer utilizar serviços do Google ou mesmo o Facebook. Lá não dá, mas é só utilizar uma VPN e tudo está resolvido. A VPN é uma rede virtual privada e que pode, além de abrir espaço para sites bloqueados, te esconder. Em grande parte das VPNs, seu IP ficará oculto e isso significa que será mais difícil, ou quase impossível, saber o que você fez na web.

Nós até temos uma lista de aplicativos que fazem isso no Android. É só clicar aqui e ficar invisível até mesmo em um smartphone.

O DNS pode te dedurar
Mesmo dentro de uma VPN, de forma segura e escondido, seu DNS pode ainda dar detalhes sobre o que você fez. Para saber se o servidor de DNS está enviando seus dados, é só entrar no DNSLeakTest.com e realizar alguns testes. Se você fizer o teste e seu provedor de internet aparecer, mesmo dentro de uma VPN, é que seus dados não estão tão escondidos assim.

Máquinas virtuais são bem seguras
Se você está preocupado com o PDF que acabou de receber e não quer que alguém olhe ele, sem ser você, é só instalar uma máquina virtual. É só baixar o arquivo por ela, cortar a internet que é enviada até o sistema operacional que roda lá e abrir o arquivo.
Sistemas operacionais portáteis

Se você ainda não está feliz e seguro com máquinas virtuais, é só rodar um sistema operacional a partir de um CD, DVD ou mesmo um pendrive. O Ubuntu é uma das distribuições de Linux que permitem este tipo de recurso. Tem um que leva a privacidade para outro nível, e atende pelo nome de Tails. Ele faz com que toda a informação seja enviada por base do Tor e a criptografia está presente em mensageiros e até no cliente de e-mail.

Não aceite cookies de terceiros
Cookies, além de bolachas (ok cariocas, eu sou paulista), são formas que empresas utilizam para saber o que você faz na internet. Elas utilizam estas informações para vender anúncios mais relevantes, como um novo carro para quando você acaba de buscar sobre carros.


A maioria dos navegadores contam com bloqueios para cookies. É só entrar em configurações e depois buscar por privacidade. Geralmente está dentro de conteúdo. É só selecionar que você quer bloquear cookies terceiros e pronto.
Não compartilhe sua localização

Os navegadores mais modernos já conseguem enviar sua localização para alguns sites. Isso ajuda na hora de entender onde você está no Google Maps, por exemplo. Além disso, dá pra utilizar esta informação na hora de enviar anúncio mais relevante para seu local. Toda vez que um site quiser sua localização, o navegador pergunta se você quer compartilha. É só clicar no “não” e pronto.

Desligue plugins
Plugins são ferramentas bacanas para ajudar na navegação, mas podem acabar bisbilhotando tudo que você faz. Dá pra ir nas configurações do navegador e desligar um por um. O problema é que isso pode te trazer problemas com alguns sites, principalmente com bancos.

Bloqueie os Javascripts
JavaScripts estão presentes na web faz tempo, ajudam muito na hora de conseguir algumas informações sobre seu computador. O problema é que qualquer servidor da internet pode pegar dados como a lista de plugins instalados, qual é o tamanho da tela que você usa, qual sistema operacional tem e até a versão do navegador. No passado alguns vazamentos justamente no JavaScript levaram dados de muitas pessoas para a internet, em livre acesso.

Uma forma bacana de evitar este problema é com a extensão NoScript. Simples, com uma interface para bloqueio apenas de um endereço da internet ou de toda a navegação.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Você pode ser monitorado mesmo usando o modo anônimo; entenda como

A aba anônima do seu navegador tem várias utilidades; a mais comum, é a visualização de conteúdo adulto sem deixar rastros no histórico. A mais nobre aplicação, no entanto, é a possibilidade de navegar e fazer pesquisas de preços sem criar cookies de rastreamento, que causam a incômoda situação de anúncios persistentes que ficam te seguindo em todo o site que você entra.

Mas o fato é que sites realmente empenhados em monitorar o seu acesso ainda podem fazer isso, mesmo quando você utiliza a sua aba anônima do navegador. Existem alternativas que vão além dos cookies, que permitem identificar o usuário, seu comportamento e guardar essa informação, mesmo quando ele não está logado em nada.

Sim, Google e Facebook, entre várias outras empresas, monitoram o que você acessa online por meio de múltiplos plug-ins que são disponibilizados em praticamente todos os sites mais usados no mundo. Basta estar com sua conta logada, e você está vigiado. No entanto, existe, sim, como fazer isso sem qualquer login, sem qualquer cookie.

Uma das técnicas que existem para isso se chama “browser fingerprinting”, que na boa tradução para o português nada mais é do que a impressão digital do navegador. Você pode não saber, mas o seu navegador é basicamente único. Existem uma gama de configurações que são informadas ao site visitado. Esses dados podem ser usados para criar um perfil muito detalhado do seu browser, que pode ser salvo no banco de dados da empresa.

Assim, se você entrar em um site qualquer, usando ou não a aba anônima, ele pode guardar essas informações. E quando você voltar a acessar a página, as suas informações poderão ser puxadas desse banco de dados, independentemente se você está usando o modo incógnito ou não.

O que isso significa é que empresas podem, a qualquer momento, começar a te seguir pela internet, mesmo se você só faz pesquisas anonimamente. Vamos pegar o Google como possível exemplo: suponhamos que você esteja procurando por um celular no buscador para fazer comparação de preço usando o modo incógnito. A empresa pode pegar a impressão digital do seu navegador e guardar essa sua pesquisa. Depois, quando você acessar o Google de forma não-incógnita, usando sua conta, as mesmas informações podem ser puxadas do banco da empresa e vinculadas à sua conta, efetivamente matando qualquer vantagem que você tenha ao usar o modo anônimo do navegador.

Duvida?

Um site criado pelo desenvolvedor identificado como Gautan Krishna.R mostra bem o problema. A ferramenta se chama “Are You Anonymous?” e está disponível neste link. A ideia é provocar a reflexão sobre a utilidade do modo incógnito dos navegadores, com um teste muito simples.

Basta você incluir um nome, não precisa nem ser o seu verdadeiro, enquanto acessa o site na aba anônima do Chrome ou de qualquer outro browser. Em seguida, o site convida o usuário a acessar novamente a página, desta vez na aba convencional do seu navegador. Você vai ver que ele ainda consegue identificar o nome que você forneceu no seu primeiro acesso. O mesmo vale se o processo for o contrário e você acessar primeiro de forma “pública” e depois de forma “privada”. O sistema inclusive vai funcionar em duas sessões anônimas distintas.

Então para que serve o modo incógnito?

Por mais que ele seja efetivamente inútil para fugir do monitoramento do seu acesso, o modo anônimo ainda consegue manter informações em sigilo de pessoas que compartilham o computador com você. Além disso, mesmo que o monitoramento ainda exista, pelo menos o modo anônimo ainda se mostra eficaz em evitar que anúncios te persigam por toda a internet; só não se sabe até quando.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Navegação anônima não é tão segura quanto você imagina; entenda o porquê

Muita gente acredita que a navegação anônima em browsers como Google Chrome e Mozilla Firefox é suficiente para esconder todos os rastros que deixa pela internet, afinal de contas é isso que o nome "anônima" nos leva a acreditar. A verdade, contudo, é um pouco diferente disso. Em 99% dos casos o que acontece é exatamente o que as pessoas esperam e basta abrir uma janela de navegação anônima para que tudo o que você viu vá para o espaço quando o navegador for fechado. Mas, como sempre há algumas exceções às regras, há situações em que a navegação anônima pode ser burlada sem que o usuário saiba. 

Veja exemplos de quando isso pode acontecer e previna-se para não cair em ciladas.

NVIDIA dedo-duro

Um dos casos mais emblemáticos de quando a navegação anônima foi burlada aconteceu com o estudante canadense Evan Andersen. Após passar uma tarde inteira assistindo o que todo jovem solteiro assiste na internet, ele acabou surpreendido quando iniciou Diablo III e foi apresentado a conteúdos pornográficos ao invés da tela de carregamento do jogo. Intrigado com o que acabara de acontecer, ele resolveu usar os conhecimentos adquiridos no curso de Engenharia Elétrica e da Computação para investigar o que poderia ter causado aquilo, já que os vídeos pornôs foram assistidos em janelas de navegação anônima. Após algumas horas investigando o caso, Andersen relatou em seu blog ter descoberto que os drivers da placa de vídeo da NVIDIA lidam com a memória do computador de uma maneira bastante peculiar. Drivers de placas de vídeo da NVIDIA lidam com dados armazenados na memória do computador de maneira peculiar e podem acabar armazenando o que era para ser anônimo (Imagem: Reprodução) "Quando fechamos a janela de navegação anônima do Chrome, todo o conteúdo armazenado temporariamente na memória RAM é transferido para a memória da placa de vídeo ao invés de ser apagado", explica o estudante. "Quando abri Diablo III e o jogo requisitou o conteúdo armazenado na memória da placa de vídeo, o que acabou sendo oferecido foi aquilo que antes havia sido visto no Chrome. Então, como nada foi apagado e o jogo não conseguia limpar a memória por conta própria, o que eu havia assistido no Chrome acabou aparecendo na tela do jogo". Após a descoberta em 2014, Andersen relatou o problema tanto para a NVIDIA quanto para o Google, que jamais o responderam. Até hoje os drivers das placas de vídeo da NVIDIA continuam com o bug e, quem sabe, sendo responsáveis por vários momentos de saia-justa.

Canvas Fingerprinting

Um novo método de rastreamento Você pode fugir da publicidade direcionada abrindo uma janela de navegação anônima e até mesmo se livrar completamente dos anúncios instalando complementos como o AdBlock, os cookies também podem ser evitados com janelas anônimas, mas ninguém está livre do chamado Canvas Fingerprinting. Trata-se de um novo método de rastreamento implementado por cerca de 5% dos 100 mil sites mais acessados do mundo. Tudo é feito a partir da API Canvas do HTML5, que permite (entre outras coisas) criar linhas e imagens ocultas, sem que o usuário saiba. Agora associe isso à criação de um token único que leva em conta sua placa de vídeo, processador, plugins instalados e navegador que está sendo usado e esses sites podem identificar qualquer pessoa mesmo que ela esteja navegando em modo anônimo. No método de rastreamento vem sendo implementado por vários sites ao redor do mundo, principalmente as plataformas de vídeo pornô.

Mixando informações da máquina do usuário, empresas geram 'impressões digitais' dos usuários e as coloca numa imagem invisível graças à API Canvas do HTML5. Dessa forma, conseguem rastrear as pessoas por toda a web (Imagem: Reprodução) Com a popularização do HTML5, já suportado por praticamente todos os navegadores da atualidade, é quase impossível fugir do Canvas Fingerprinting. As únicas maneiras de fazer isso é instalando o finado Internet Explorer 6 ou desabilitando o JavaScript quando quiser ficar longe dos olhos alheios e curiosos. De um jeito ou de outro, você certamente perceberá que a navegação ficará comprometida e os sites não funcionarão como deveriam. Ou seja, a não ser que você esteja disposto a lidar com sites quebrados, a única alternativa é abrir mão da sua privacidade.

Caiu na rede, já era

Outro grande problema da navegação anônima é que ela só funciona de verdade localmente no computador do usuário. Sendo assim, os pacotes de dados que contêm as informações de requisição e resposta podem ser interceptados a qualquer momento depois que saem do seu computador. O mais assustador é que isso não envolve nenhum tipo de ataque sofisticado e o bisbilhoteiro pode estar sentado ao seu lado. Com aplicativos como o Wireshark instalados no PC, essa pessoa não só consegue visualizar as informações que estão sendo enviadas e recebidos pelo seu computador como também todos os pacotes da rede em que está conectado. Fora isso, estão cada vez mais comuns ataques do tipo Man in the Middle, quando uma pessoa mal-intencionada passa a interceptar toda sua comunicação antes dela seguir para o servidor de destino. Dessa forma, essa pessoa pode analisar, armazenar e alterar qualquer tipo de informação sem que você saiba, independentemente de você estar navegando anonimamente ou não.

Em ataques de MITM, cibercriminosos desviam conexão das vítimas e passam a analisar todo e qualquer dado que sai e entra de seus computadores. Isso geralmente ocorre depois que usuário se conecta a redes sem fio públicas ou instala apps de procedência duvidosa (Imagem: Reprodução) É claro que há maneiras de evitar esse tipo de contratempo e elas envolvem a instalação de plugins que forçam a navegação segura tanto no Chrome como no Firefox. Outra forma de não cair nesse tipo de cilada é sempre utilizar uma VPN, que cria um túnel de comunicação entre você e o destino dos pacotes de dados, prevenindo que as informações sejam interceptadas no meio do caminho.

Não importa o quão cauteloso você seja, ninguém poderá salvá-lo caso seu computador esteja infestado de malwares e/ou seu navegador estiverem lotados de extensões maliciosas - e a razão disso é bastante óbvia. Tome como exemplo um keylogger instalado em um computador. Independentemente do incauto pressionar CTRL+SHIFT+N para supostamente navegar anonimamente, a praga virtual continuará em execução em segundo plano e irá capturar tudo o que você digitar.

Dessa forma, a única alternativa para manter você e suas informações pessoais em segurança é ou desinstalar todo tipo de tranqueira que infesta seu PC ou formatá-lo para começar tudo do zero. Embora muitos se assustem com a palavra "formatar", esse é um processo que vem sendo bastante refinado e simplificado ao longo dos anos, sobretudo para quem utiliza Windows. Não sabe como formatar o seu computador com o Windows? A gente ensina A mesma dica serve para extensões instaladas no seu navegador favorito. Embora muitas delas tragam recursos que saltam aos olhos do grande público, é nos termos de uso (que ninguém lê, diga-se de passagem) que reside o verdadeiro perigo. Sem que os incautos saibam, esses plugins acabam monitorando tudo que é feito online, independentemente da navegação ser anônima ou não.

Fique atento e conheça seus limites

Mesmo com todos esses casos e exemplos de como a navegação anônima pode ser desdobrada, ela ainda é recomendada para quem deseja navegar sem deixar qualquer rastro localmente. "Localmente" é uma palavra extremamente importante para evitar problemas, já que toda e qualquer informação que trafega na rede pode acabar sendo interceptada caso você não esteja utilizando uma VPN em conjunto com certificados de criptografia SSL. Mesmo assim, vale a pena redobrar a atenção principalmente em relação a drivers bugados e extensões maliciosas instaladas no computador, sem contar com aquele amigo espertinho que pode estar monitorando a sua rede.